Cuidar da saúde do coração começa antes do aparecimento dos sintomas. Manter uma rotina de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento dos níveis de pressão arterial e colesterol são algumas das medidas que ajudam a reduzir o risco de doenças cardiovasculares. No Setembro Vermelho, a cardiologista Polyana Lima, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf/HU Brasil), orienta sobre os principais cuidados para prevenir essas condições e reconhecer os sinais de alerta.
A cardiologista explica que grande parte dos problemas cardiovasculares está relacionada à aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias e que pode desencadear sérios problemas, tais como infarto do miocárdio, angina, acidente vascular cerebral (AVC), derrame, além de comprometer a circulação das pernas, causando doença arterial periférica.
Fatores de risco
Entre os fatores de risco, existem aqueles que podem ser modificados, como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo. Já aspectos como idade, histórico familiar e predisposição genética exigem acompanhamento médico ainda mais rigoroso.
Outro fator que vem preocupando os especialistas é o estilo de vida moderno. O estresse crônico, associado a jornadas intensas de trabalho, noites mal dormidas e distúrbios do sono, aumenta os níveis de hormônios que favorecem a elevação da pressão arterial e sobrecarregam o sistema cardiovascular. Atualmente, esses componentes já são reconhecidos como importantes contribuintes para o desenvolvimento de cardiopatias. “Em pessoas que já apresentam outros fatores de risco, a associação com estresse aumenta a probabilidade de eventos cardiovasculares. Em situações extremas, o estresse intenso pode desencadear condições cardíacas agudas. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular também significa cuidar da saúde emocional, dormir bem, praticar atividade física e reservar momentos de descanso”, afirma Polyana.
Prevenção
A prática regular de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada são apontadas como pilares da prevenção. As diretrizes médicas recomendam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, além de uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e proteínas magras, com redução do consumo de sal, açúcares e gorduras. Esses hábitos contribuem para o controle do peso, da pressão arterial e do colesterol, reduzindo significativamente os riscos de infarto e AVC. “A boa notícia é que cerca de 80% das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas. A prevenção não acontece apenas quando chegamos aos 50 ou 60 anos. Ela começa muito antes, com hábitos saudáveis construídos ao longo da vida. Quanto mais cedo cuidamos dos fatores de risco, maior a chance de evitar um infarto, um AVC ou outras complicações cardiovasculares”.
Polyana Lima acrescenta ainda que atualmente os especialistas da área têm buscado compreender a condição de saúde de maneira mais ampla e integrada. Neste sentido, a avaliação cardiovascular perpassa por uma visão global: peso, alimentação, atividade física, sono, função renal, colesterol e hábitos como o tabagismo e etilismo. “O conceito da síndrome cardiovascular-renal-metabólica, reconhece a forte interação entre coração, rins e metabolismo. Essa visão mais ampla é importante, porque muitas dessas condições podem ser identificadas e tratadas precocemente, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares no futuro”, alerta a profissional.
Sinais de perigo
Reconhecer os sinais de alerta pode salvar vidas. No caso do infarto, os sintomas mais comuns incluem dor ou pressão no peito, principalmente se for intensa, persistente ou acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou mal-estar, desmaio, palpitações ou perda de consciência. Já o AVC costuma provocar alterações repentinas na fala, perda de força em um dos lados do corpo, desvio da boca, alterações visuais e dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio. “A orientação, em qualquer uma dessas situações, é procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais rápido o paciente chegar ao hospital, maiores são as chances de tratamento eficaz e menores os riscos de sequelas permanentes”.
Campanha
Oficializada no Brasil pela Lei nº 14.747 de 2023, mas realizada de maneira extraoficial desde 2014, a mobilização nacional faz alusão ao Dia Mundial do Coração, comemorado em 29 de setembro. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com número de óbitos que pode passar de 400 mil em 2026. O objetivo da campanha é informar e, acima de tudo, alertar que a prevenção pode evitar as doenças do coração.
Sobre a HU Brasil
O HU-Univasf faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.



