O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou três policiais militares pela morte de dois adolescentes de 16 anos no bairro de São Marcos, em Salvador. O caso aconteceu em 28 de setembro de 2025 e, segundo a denúncia apresentada pelo órgão na quinta-feira (10), as vítimas teriam sido assassinadas sem que houvesse possibilidade de defesa.
Os adolescentes foram identificados como Mateus Daniel Chagas da Silva e Kaique Reis Santos. Os policiais denunciados são Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira.
De acordo com o MPBA, os homicídios teriam sido praticados por motivo considerado torpe e sem que os jovens tivessem condições de reagir. Diante das acusações, o Ministério Público também solicitou à Justiça que as prisões temporárias dos três militares sejam convertidas em prisões preventivas.
Investigação contesta versão de troca de tiros
Um dos principais pontos levantados na denúncia é a contestação da versão apresentada pelos policiais sobre o que teria acontecido no momento das mortes.
Segundo o Ministério Público, exames periciais e depoimentos de testemunhas não teriam confirmado a existência de uma troca de tiros.
A investigação aponta ainda que um dos adolescentes estaria sob controle dos policiais quando teria recebido uma ordem para correr. Na sequência, conforme a acusação apresentada pelo MPBA, ele foi atingido por disparos.
A versão descrita na denúncia indica, portanto, uma dinâmica diferente daquela inicialmente apresentada pelos militares.
Kaique teria sido abordado enquanto comprava pão
Segundo relatos reunidos durante a investigação, Kaique Reis Santos havia saído de casa para comprar pão quando encontrou os policiais na região.
Aos familiares, teria sido relatado que os militares afirmaram estar procurando criminosos que atuariam naquela área.
Ainda de acordo com os depoimentos mencionados na investigação, ao perceber a presença dos agentes armados, o adolescente teria levantado as mãos e virado as costas, em um gesto interpretado como rendição.
Mesmo diante dessa situação, conforme a denúncia do Ministério Público, Kaique teria sido atingido por três disparos.
Vítimas foram encontradas sem sinais vitais
Familiares e testemunhas também relataram às autoridades que os dois adolescentes deixaram o local sem sinais vitais após serem atingidos.
A apuração do caso avançou ao longo dos meses e resultou na prisão dos três policiais militares, realizada em 17 de julho de 2026.
Agora, com a apresentação da denúncia pelo MPBA, a Justiça deverá analisar os pedidos feitos pelo Ministério Público e os elementos reunidos durante a investigação.
MP pede prisão preventiva dos policiais
Além da denúncia pelos homicídios, o Ministério Público solicitou que a prisão temporária dos três policiais seja convertida em prisão preventiva.
A medida busca manter os militares presos durante o andamento do processo, caso seja aceita pela Justiça.
É importante destacar que a denúncia representa a acusação formal apresentada pelo Ministério Público. Os policiais ainda terão direito à defesa e ao devido processo legal, e a responsabilidade criminal deverá ser definida pela Justiça ao longo do processo.
O caso segue em tramitação e deverá avançar com a análise judicial das provas, dos depoimentos e dos demais elementos reunidos pelas autoridades.



