Uma casa localizada em uma rua aparentemente tranquila do bairro de Itapuã, em Salvador, era utilizada pelo Bonde do Maluco (BDM) como centro de distribuição, armazenamento e refino de drogas. A estrutura criminosa foi descoberta pela Polícia Civil, que apreendeu cerca de meia tonelada de entorpecentes no imóvel, causando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões para a facção.
Segundo as investigações, o imóvel funcionava como um laboratório de produção e refinaria de drogas. A movimentação intensa de veículos na residência chamou a atenção de moradores da região e passou a ser monitorada pelas equipes policiais.
De acordo com a Polícia Civil, a escolha de Itapuã pelo grupo criminoso foi estratégica. A facção tem ampliado a atuação em bairros da orla e áreas de classe média para facilitar a logística do tráfico, movimentar dinheiro sem levantar suspeitas e utilizar imóveis alugados como depósitos clandestinos.
O bairro também oferece acesso rápido à Avenida Paralela, ao Aeroporto Internacional de Salvador, à orla atlântica e às vias de saída para Lauro de Freitas e outras cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS).
“Eles pulverizavam, entregavam para Salvador toda”, afirmou o diretor adjunto do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Raphael Dunice.
As investigações apontam ainda que a região possui muitas casas de aluguel e imóveis de veraneio, o que facilita a atuação do tráfico de drogas de forma mais discreta.
O BDM mantém atuação em diversos bairros da capital baiana e áreas próximas da orla, incluindo Itapuã, São Cristóvão, Jardim das Margaridas, Bairro da Paz, Mussurunga, Stella Maris, Praia do Flamengo e Piatã. Em algumas localidades, há constantes disputas territoriais entre o BDM, o Comando Vermelho (CV) e grupos independentes.
A polícia informou que o imóvel descoberto agora fica na Rua Vicente Ferreira de Magalhães e era alugado exclusivamente para o funcionamento do esquema criminoso há pelo menos seis meses.
Os policiais flagraram o momento em que drogas eram descarregadas de um Ford Focus branco e de uma motocicleta para distribuição. Parte da carga estava espalhada em caixas e sacos dentro da residência. Até a geladeira da casa era usada para armazenar entorpecentes.
Quatro pessoas foram presas durante a operação: Gabriel Reis Oliveira, apontado como gerente de distribuição; Matheus de Sena Faustino; Matheus Souza Bonfim; e Kaian Miguel Santos Almeida Pimentel. Segundo a polícia, Gabriel e Matheus Faustino já possuíam passagens anteriores por tráfico de drogas.
Ainda conforme o delegado Raphael Dunice, um dos suspeitos trabalhava como motorista por aplicativo e realizava entregas para a facção criminosa.




