Uma hamburgueria localizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, está sendo investigada após denúncias de exigências consideradas abusivas durante processos de contratação. O caso veio à tona nesta segunda-feira (13), após relatos de uma mulher de 23 anos que buscava emprego e afirmou ter recebido orientações inadequadas relacionadas à aparência física das funcionárias.
De acordo com a denúncia, o recrutador teria solicitado que as funcionárias utilizassem roupas justas durante o expediente, com a justificativa de que isso “atrairia clientes”. Em mensagens, ele chegou a sugerir o uso de “calça legging mais marcando”, o que gerou desconforto na candidata. Ao questionar se a exigência tinha o objetivo de evidenciar partes íntimas do corpo, ela afirma que recebeu confirmação.
Diante da situação, a jovem decidiu recusar a vaga, relatando ter se sentido desrespeitada com o teor das mensagens.
O contato com o recrutador ocorreu após a candidata visualizar um anúncio em um grupo de empregos no WhatsApp. A vaga oferecia jornada de seis horas, com pagamento inicial de R$ 90, podendo chegar a R$ 180 mediante o cumprimento das condições impostas.
Outra denúncia também foi registrada. Uma adolescente de 17 anos relatou que recebeu proposta semelhante, com promessa de aumento de até R$ 300 no salário caso utilizasse roupas com decotes e mais justas durante o trabalho. Segundo ela, a abordagem causou abalo emocional.
Após a repercussão do caso, o perfil da hamburgueria nas redes sociais foi retirado do ar.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que instaurou procedimento para investigar a conduta do estabelecimento. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o proprietário da hamburgueria reconheceu o erro, lamentou o ocorrido e afirmou que não teve a intenção de ofender as candidatas.
O caso levanta discussões sobre assédio, exploração e condições de trabalho inadequadas, especialmente em processos de contratação que envolvem jovens em busca do primeiro emprego.



