Uma médica e um cirurgião-dentista que atuavam na rede municipal de saúde de Serra Preta, cidade localizada no interior da Bahia, foram afastados de suas funções após a divulgação de um vídeo com comentários considerados ofensivos e preconceituosos contra uma agente comunitária de saúde. O caso ganhou repercussão nas redes sociais na última terça-feira (9).
As imagens foram gravadas dentro de um veículo e publicadas em uma rede social de um dos profissionais na segunda-feira (8). O conteúdo acabou vazando e passou a circular em grupos de mensagens, gerando indignação entre moradores e internautas.
Durante a gravação, a médica faz referência à agente comunitária utilizando a expressão “evangélica do demônio” ao comentar uma suposta orientação dada pela servidora a um paciente hipertenso.
“Saímos agora de uma reunião com os agentes de saúde e tem uma evangélica do demônio que, em um dia de visita, mandou um paciente mastigar alho ao invés de tomar o remédio de pressão”, afirmou a profissional no vídeo.
Ao longo da gravação, os dois profissionais também fazem comentários sobre a religião da agente comunitária, integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia, citando práticas da denominação, como a guarda do sábado. Em outro trecho, o cirurgião-dentista utiliza uma expressão ofensiva ao se referir à servidora.
Por meio de nota, a Prefeitura de Serra Preta informou que repudia veementemente a conduta dos envolvidos e destacou que o comportamento demonstrado no vídeo representa desrespeito aos princípios éticos e aos deveres do serviço público.
Segundo a administração municipal, os dois profissionais foram imediatamente afastados de suas funções após a repercussão do caso. A gestão também ressaltou que a agente comunitária atua há 27 anos no município e que, até o momento, não registrou boletim de ocorrência.
A prefeitura informou ainda que só tomou conhecimento da suposta orientação envolvendo o uso de alho após a divulgação do vídeo. De acordo com o município, não existem registros anteriores que comprovem que a prática fosse recorrente.
“Até o momento não é possível afirmar que essa prática ocorria sempre, uma vez que não havia qualquer registro ou comunicação prévia que chegasse ao conhecimento da administração”, destacou a nota oficial.
Diante da situação, equipes da Diretoria de Saúde, da Assistência Social e da Psicologia foram mobilizadas para prestar apoio e acompanhamento à agente comunitária.
A gestão municipal informou que já está adotando medidas administrativas em razão da gravidade do episódio e reafirmou o compromisso com o respeito à diversidade religiosa, à ética profissional e ao atendimento humanizado da população.
Após a repercussão do caso, o prefeito de Serra Preta publicou um decreto exonerando Lucas Filipe Silva Carneiro do cargo de coordenador da Divisão de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde.
Já a médica teve o contrato suspenso. A prefeitura não informou se outras sanções poderão ser aplicadas aos envolvidos.



