O julgamento dos dois homens acusados de envolvimento na morte do cabeleireiro Valdir Macário, conhecido como Valdir Cabeleireiro, foi novamente adiado nesta quinta-feira (10), em Salvador. A sessão estava prevista para acontecer no Fórum Ruy Barbosa, mas não foi realizada após a defesa solicitar a suspensão alegando motivo de saúde.
Com o novo adiamento, o processo chega à sexta tentativa de realização do júri popular. A Justiça marcou uma nova sessão para o dia 6 de outubro, também na capital baiana.
Os réus Edgar Silva dos Santos e Patrick Ribeiro Tupinambá, conhecido como “Bagão”, respondem pela morte de Valdir, assassinado em novembro de 2016. De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), Edgar teria sido o responsável por ordenar o crime, enquanto Patrick seria apontado como executor.
Assassinato aconteceu dentro de salão
Valdir Macário foi morto a tiros no dia 12 de novembro de 2016, enquanto trabalhava em seu salão de beleza, em Salvador. O crime foi registrado por câmeras de segurança, imagens que passaram a fazer parte da investigação.
O Ministério Público denunciou Edgar e Patrick por homicídio qualificado em março de 2017. A acusação sustenta que o assassinato teria sido motivado por uma situação envolvendo ciúmes e vingança.
Segundo a versão apresentada na denúncia, Edgar teria se revoltado com uma suposta relação envolvendo sua companheira e o irmão de Valdir, identificado como Reginaldo. Ainda conforme a acusação, antes do assassinato do cabeleireiro, Edgar teria tentado matar Reginaldo dentro do próprio salão, em outubro de 2016.
Como Reginaldo sobreviveu à tentativa, a acusação aponta que Edgar teria decidido atingir o irmão dele e, posteriormente, planejado a morte de Valdir.
Acusado teria confessado participação como mandante
Após ser preso, Edgar Silva dos Santos teria confessado à polícia que era o mandante do assassinato. Apesar disso, o caso passou por diferentes decisões judiciais ao longo dos anos.
Em novembro de 2017, uma decisão judicial apontou que o Ministério Público não teria apresentado elementos suficientes para comprovar que Edgar foi o responsável por ordenar a morte de Valdir. Com isso, ele não chegou a ser levado a julgamento naquele momento.
Anos depois, em 2020, Edgar voltou a ser preso durante uma operação da Polícia Militar realizada no bairro de Itapuã, em Salvador. Na ocasião, segundo informações da corporação, havia um mandado de prisão contra ele relacionado a outros crimes. A prisão, portanto, não ocorreu especificamente por causa do assassinato de Valdir.
Na época, Edgar também era investigado por envolvimento com tráfico de drogas. Outro homem foi preso durante a mesma ação, mas, conforme informado no processo, ele não tinha relação com a morte do cabeleireiro.
Sexto adiamento do júri
A realização do julgamento vem sendo postergada desde 2025. Antes da sessão prevista para esta quinta-feira, outras cinco datas já haviam sido marcadas e posteriormente canceladas.
Os julgamentos anteriores estavam previstos para 8 de julho de 2025, 23 de abril de 2026, 10 de junho de 2026, 6 de agosto de 2026 e 25 de agosto de 2026.
Entre os motivos apresentados para os adiamentos anteriores estão problemas de saúde envolvendo um dos réus e incompatibilidade de agenda do advogado de defesa.
Desta vez, o pedido foi apresentado poucos minutos antes do início da sessão. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) informou que toda a estrutura necessária para a realização do júri estava preparada, mas a defesa solicitou o adiamento alegando novamente uma questão de saúde.
Nova data foi definida pela Justiça
Com a suspensão da sessão desta quinta-feira, o Tribunal de Justiça da Bahia estabeleceu 6 de outubro de 2026 como a nova data para o julgamento.
A expectativa é que, caso a sessão seja realizada, os dois acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.
O caso, que começou em 2016 e já se arrasta por quase uma década, deverá voltar ao centro das atenções quando a nova sessão for realizada. Até lá, os detalhes sobre a dinâmica do assassinato e a eventual responsabilidade de cada acusado continuarão sendo analisados pela Justiça.



