O tenente-coronel da Polícia Militar Luiz Augusto Normanha de Carvalho foi preso preventivamente durante a terceira fase da Operação Terra Justa, na Bahia. O militar é investigado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por suspeita de corrupção passiva militar e de ter recebido aproximadamente R$ 286 mil de um integrante de uma milícia que atuava no oeste do estado.
Normanha havia sido exonerado, em setembro de 2025, da direção do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa. Antes de assumir o cargo na instituição de ensino, ele comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória, função que exerceu até 2023.
Segundo as investigações, a unidade policial comandada pelo militar atendia municípios da mesma região onde, conforme o MP-BA, atuava o grupo investigado.
Investigação aponta pagamentos frequentes
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o policial teria recebido R$ 286 mil do sargento da reserva Carlos Erlani Gonçalves Santos, apontado pela investigação como líder de uma milícia que teria atuado durante mais de uma década na região de Correntina.
O MP-BA afirma que os repasses eram realizados com frequência e que parte deles chegava a aproximadamente R$ 15 mil por mês. Os investigadores também identificaram pagamentos de boletos relacionados à faculdade da filha do policial e outras despesas pessoais.
Para o Ministério Público, os valores teriam como finalidade fazer com que o oficial deixasse de cumprir ações de combate à atuação da milícia na região.
Grupo é investigado por ameaças e expulsão de comunidades
Ainda conforme a acusação, a organização investigada oferecia serviços de segurança privada a grileiros e teria utilizado ameaças contra comunidades tradicionais para tentar retirá-las de suas terras.
A denúncia também aponta uma suposta relação de favorecimento entre o tenente-coronel e integrantes do grupo.
Mandados foram cumpridos em imóveis ligados ao militar
Além da prisão preventiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados ao tenente-coronel no município de Santa Maria da Vitória.
A operação reuniu o Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da 3ª Promotoria de Justiça Militar, além da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), da Força Correicional Especial Integrada (Force) e da Corregedoria da Polícia Militar.
As acusações contra o militar ainda são analisadas no processo judicial. A prisão preventiva e as medidas de busca e apreensão foram determinadas pela Justiça após o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público.A
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