O servidor público Vanderley dos Santos Gomes, que tentou receber uma indenização de R$ 1,5 milhão após amputar o próprio pé, teve o membro encontrado dentro da mochila dele, a cerca de 350 metros do local onde foi socorrido, na zona rural de São Gonçalo dos Campos, no interior da Bahia. A informação consta nos autos do processo que resultou na condenação do homem por estelionato.
Segundo a investigação, Vanderley afirmou ter sido vítima de um assalto seguido de sequestro e disse que teve o celular, relógio, dinheiro e outros pertences roubados. No entanto, durante a perícia, a mochila dele foi localizada contendo todos os objetos que teriam sido levados pelos supostos criminosos, além do pé amputado.
Na época do caso, em julho de 2019, o servidor trabalhava em Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano. Em depoimento, ele contou que havia ido até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cruz das Almas para buscar atendimento devido a fortes dores, mas não conseguiu ser atendido. Ao sair da unidade, disse ter sido abordado por dois homens armados em um carro preto, que o teriam sequestrado, agredido e amputado o pé em uma estrada de terra.
As investigações, porém, identificaram uma série de inconsistências no relato. Entre elas, a presença da mochila com os pertences e o membro amputado nas proximidades do local onde ele foi encontrado. A Justiça também considerou improvável a versão de que sequestradores teriam amputado o pé sem exigir resgate ou haver qualquer motivação aparente.
Outro ponto destacado pelos magistrados foi que Vanderley apresentou dificuldades para explicar detalhes fundamentais do suposto crime, como o instrumento utilizado na amputação, não sabendo dizer se teria sido uma foice, facão ou serra.
Os juízes ainda apontaram indícios de premeditação financeira, já que o servidor, que possuía renda considerada modesta, havia contratado quatro seguros de vida apenas seis semanas antes do episódio.
Diante das provas reunidas, a Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos concluiu que o homem planejou a fraude para obter as indenizações. Ele foi condenado a dois anos de reclusão por estelionato em primeira e segunda instâncias.
A defesa ainda tentou levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a Justiça da Bahia entendeu que todas as questões levantadas já haviam sido devidamente analisadas ao longo do processo. Com o trânsito em julgado, sem possibilidade de novos recursos, Vanderley iniciou o cumprimento da pena em maio deste ano.
Além da pena de prisão, o servidor foi condenado a cumprir 720 horas de prestação de serviços à comunidade e a pagar uma prestação pecuniária no valor de R$ 7.590.




