Estudo revela que complexo industrial em Camaçari já gera mais de 22 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Salário médio do setor industrial no município supera a média estadual em 24%.
A fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, já movimenta mais de R$ 1,03 bilhão por ano em massa salarial na Bahia. Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Observatório da Indústria, unidade de inteligência econômica do Sistema FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), em parceria com a montadora chinesa.
De acordo com os primeiros resultados do levantamento, o complexo industrial da BYD já é responsável pela geração de mais de 22 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, consolidando-se como um dos principais motores da retomada econômica de Camaçari e da região.
O estudo também aponta o impacto da empresa na remuneração dos trabalhadores. Em Camaçari, o salário médio do setor industrial chegou a R$ 3.905,85, aproximadamente 24% acima da média da indústria baiana, que registra R$ 3.147,88.
BYD já emprega mais de 9,5 mil trabalhadores na Bahia
Atualmente, a operação da BYD mantém mais de 9,5 mil empregos diretos, sendo que 90% das vagas são ocupadas por trabalhadores baianos. Outro dado destacado pelo levantamento é a participação feminina: 33% dos profissionais das linhas de produção são mulheres.
Além dos empregos diretos, aproximadamente 3 mil trabalhadores atuam na construção das demais unidades industriais necessárias para a conclusão da primeira fase do complexo.
O levantamento também identificou cerca de 10.080 postos adicionais de trabalho sustentados pelo consumo dos funcionários e pela circulação de renda na economia local. Esse movimento é conhecido como efeito induzido e beneficia estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e empresas de diferentes segmentos.
Camaçari retoma protagonismo na indústria automotiva
A chegada da BYD representa uma mudança significativa no cenário industrial de Camaçari. Até 2020, o setor automotivo do município empregava quase 7 mil pessoas. Em 2023, após a saída da Ford, restavam apenas 12 vínculos formais ativos na atividade.
Com a instalação da montadora chinesa no antigo terreno da fábrica da Ford, o município iniciou um novo ciclo de recuperação industrial. Atualmente, a BYD ocupa a segunda posição entre as maiores empregadoras do setor industrial da Bahia.
Para a FIEB, os resultados demonstram uma recuperação importante, mas ainda existe espaço para ampliar a participação de fornecedores locais na cadeia produtiva, criando novas oportunidades para a indústria baiana.
Investimento de R$ 5,5 bilhões e expansão da produção
O complexo industrial da BYD em Camaçari recebeu investimento inicial de R$ 5,5 bilhões e ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados. Inaugurada em outubro de 2025, a unidade é considerada o maior complexo industrial da companhia fora da China.
Atualmente, a fábrica produz veículos eletrificados, entre eles os modelos BYD Dolphin Mini, BYD King, BYD Song Pro e BYD Atto 2. Segundo os dados divulgados pela empresa, mais de 150 mil veículos já foram produzidos em Camaçari.
O projeto prevê a incorporação de novas etapas industriais, como soldagem, pintura e estamparia. A capacidade inicial de produção é de 150 mil veículos por ano, com possibilidade de expansão gradual para até 600 mil unidades anuais quando todas as etapas estiverem concluídas.
Estudo vai avaliar outros impactos na economia baiana
O levantamento do Observatório da Indústria terá continuidade ao longo de 12 meses. A proposta é aprofundar a análise dos efeitos da presença da BYD na região, incluindo indicadores relacionados à redução da pobreza e ao potencial de diminuição dos índices de criminalidade.
Os primeiros números apontam que os impactos da montadora ultrapassam os limites do complexo industrial, alcançando o mercado de trabalho, o comércio, a prestação de serviços e a circulação de renda em Camaçari e nos municípios do entorno.
Com a perspectiva de ampliação da produção e da cadeia de fornecedores, a BYD passa a ocupar uma posição estratégica na retomada da indústria automotiva baiana.



