O batuque ecoou forte no Campo Grande e serviu de convite imediato para quem estava no circuito. Em poucos minutos, o espaço já era tomado por foliões embalados pela pipoca de Xanddy Harmonia, que puxou um trio no estilo pranchão logo após a abertura oficial do Carnaval de Salvador, nesta quinta-feira (12).
O artista integrou o espetáculo A Rota do Samba, que reuniu grandes nomes do gênero na largada da folia. Ao subir no trio, fez questão de reforçar a importância histórica do ritmo. Para ele, o samba vai além da música e deve ser reconhecido como patrimônio imaterial, ocupando o lugar de destaque que merece — declaração que foi recebida com entusiasmo pelos foliões.
A reverência também apareceu no figurino: vestindo azul, Xanddy trazia a frase “Não deixe o samba morrer”, em homenagem ao clássico eternizado por Alcione. Por volta das 20h15, ele iniciou o percurso pelo Circuito Osmar prometendo um repertório com forte presença do samba de roda, que dominou a apresentação.
No chão, a pipoca reunia foliões de diferentes idades e origens, todos conectados pela mesma vibração. Muitos destacaram a importância do trio sem cordas como símbolo de inclusão e retomada do Campo Grande como espaço democrático da festa.
Antes de seguir o desfile, o cantor ainda brincou com os fãs ao pedir licença para trocar de roupa no camarim do trio, arrancando risadas. Apesar de uma breve impaciência de parte do público pela demora na saída, o impasse foi rapidamente resolvido com o retorno do artista, agora com novo figurino adornado por broches de ícones do samba.
Já em movimento, Xanddy recebeu no trio a cantora Mariene de Castro, que interpretou “Ilha de Maré” logo no início do percurso, confirmando a proposta da apresentação: deixar o samba conduzir, do começo ao fim, a energia do Circuito Osmar.



