Um camarote localizado no circuito Dodô (Barra–Ondina), em Salvador, foi interditado nesta quarta-feira (11), na véspera da abertura oficial do Carnaval 2026, durante a terceira fase da Operação Falsas Promessas, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à exploração ilegal de rifas pela internet.
De acordo com as investigações, o espaço — identificado como Camarote 305 — estaria sendo utilizado para ocultação e dissimulação de recursos de origem ilícita. Durante a operação, foram fixados adesivos de interdição e instalada uma faixa de isolamento em frente ao local, situado em uma das áreas mais movimentadas da folia soteropolitana.
O camarote pertence ao rifeiro conhecido como Diogo 305, que nas redes sociais se apresenta como youtuber e criador de conteúdo digital. Os ingressos comercializados para o espaço variavam entre R$ 927 e R$ 1.108, enquanto o passaporte para todos os dias de festa chegava a R$ 4,8 mil. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos investigados até a última atualização desta matéria.
Bloqueio milionário e apreensão de aeronave
Além da interdição do camarote, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 230 milhões em contas e ativos financeiros ligados aos investigados. Uma aeronave particular, avaliada em mais de R$ 10 milhões, também foi apreendida. Segundo a polícia, o avião seria utilizado para facilitar deslocamentos do grupo e ocultação patrimonial.
O diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), delegado Fábio Lordello, destacou a relevância estratégica da operação.
“O grupo operava um esquema estruturado de lavagem de capitais por meio de empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e pessoas interpostas, movimentando valores incompatíveis com atividades lícitas declaradas. As conexões financeiras do esquema seguem sob aprofundamento investigativo”, afirmou.
Mandados em cinco cidades
Ao todo, a terceira fase da Operação Falsas Promessas cumpre mandados de busca e apreensão contra 13 investigados nas cidades baianas de Salvador, Feira de Santana e Camaçari, além de São Paulo e São Bernardo do Campo, no estado paulista.
O objetivo das diligências é recolher dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais que possam reforçar as provas já obtidas no inquérito.



