O policial federal Rogério Magno Almeida Medeiros, que já ocupou o cargo de superintendente de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), foi preso na manhã desta segunda-feira (23) durante a segunda fase da Operação Overclean, uma ação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF). Durante o período em que Rogério atuou na SSP-BA, a pasta era comandada por Maurício Barbosa, denunciado na Operação Faroeste por envolvimento em esquemas de grampos ilegais e espionagem contra adversários políticos.
O governador da época Rui Costa, exonerou Rogério Magno de Almeida Medeiros do comando da Superintendência de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). O ato foi publicado na edição (31-12-2020) do Diário Oficial do Estado.
Segundo a PF, Rogério Medeiros é acusado de fornecer informações privilegiadas à organização criminosa investigada, recebendo pagamentos mensais e benefícios pessoais em troca de vazamento de dados sigilosos das investigações. Ele teria chegado à sede da PF em Água de Meninos, em Salvador, pelos fundos do prédio, evitando contato com a imprensa.
O advogado Alberto Carvalho, que representa o Sindicato dos Policiais Federais da Bahia, informou que ainda não teve acesso ao processo e aguarda a audiência de custódia para obter mais detalhes. “Ele foi preso, mas não sabe exatamente o que está acontecendo”, afirmou.
Além de Rogério, foram presos:
- O vice-prefeito de Lauro de Freitas, acusado de receber pagamentos mensais e utilizar contratos fraudulentos para quitar dívidas pessoais, por meio da empresa PAP Saúde Ambiental Ltda;
- O ex-prefeito de Santa Cruz da Vitória, cujo nome não foi divulgado;
- Outro investigado em Vitória da Conquista.
Mandados e valores sequestrados
A operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva, e uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público, em Salvador, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista e Brasília. Também foi determinado o sequestro de aproximadamente R$ 4,7 milhões, além de veículos de luxo pertencentes aos envolvidos.
Esquema de grande alcance
De acordo com as investigações, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. O grupo contava ainda com uma célula de apoio composta por policiais, responsáveis por repassar informações sensíveis, incluindo a identificação de agentes federais envolvidos em operações sigilosas.
Crimes investigados
Os delitos apurados incluem:
- Corrupção ativa e passiva;
- Peculato;
- Fraude em licitações e contratos;
- Lavagem de dinheiro;
- Obstrução da justiça.
A investigação segue em andamento, com expectativa de novas revelações sobre a atuação do grupo criminoso.


