Voltar para a escola depois de anos, conciliar os estudos com o trabalho, cuidar da família e ainda encontrar disposição para recomeçar. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), cada estudante carrega uma história diferente. É para compreender melhor essas trajetórias e transformar informações em caminhos para a aprendizagem que a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) realizou, nesta quinta-feira (8), no Hotel Fiesta, em Salvador, o Seminário de Apropriação e Uso dos Resultados do Sistema de Avaliação Baiano de Educação (SABE). Com cerca de 150 coordenadores pedagógicos, professores, diretores e vice-diretores, o encontro apresenta os resultados da avaliação e discute como as evidências podem ser utilizadas no planejamento pedagógico e no acompanhamento da aprendizagem dos estudantes.
Com mais de 120 mil estudantes matriculados em 412 municípios dos 27 Territórios de Identidade, a EJA reúne pessoas com diferentes idades, experiências e trajetórias escolares. A avaliação específica da modalidade pelo SABE começou em 2024 e contempla avaliações de entrada e saída em Língua Portuguesa e Matemática, além de questionários contextuais. A análise conjunta dessas informações permite identificar avanços, desafios e possibilidades de intervenção pedagógica, de acordo com as diferentes realidades da rede.
Para o secretário da Educação, Marcius Gomes, o uso dos resultados deve estar associado à compreensão da EJA como uma política de garantia de direitos. “Estamos falando de um direito social e de uma política que precisa garantir condições para aqueles que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos. Reunimos, hoje, nossos Núcleos Territoriais de Educação (NTEs) para fazer a avaliação dessa política pública. Na Bahia, temos celebrado muito, primeiramente, a consolidação e, agora, o avanço desse processo de avaliação”, afirmou.
A superintendente de Políticas para a Educação Básica, Helaine Souza, destacou o papel da avaliação no aprimoramento da oferta para os estudantes da modalidade. “A Educação de Jovens e Adultos é uma política pública reparatória. Neste momento, o Estado da Bahia ocupa um lugar de vanguarda, propondo uma avaliação dessa oferta. E essa avaliação externa precisa nos ajudar a qualificar os processos educacionais. Portanto, esse seminário é a possibilidade de, juntos e juntas, fortalecermos a EJA, na Bahia.”
Ao longo do seminário, as equipes discutem formas de transformar os dados da avaliação em ações concretas nas unidades escolares. A proposta é superar uma utilização apenas classificatória dos indicadores e fazer com que os resultados contribuam para o planejamento, o acompanhamento das trajetórias de aprendizagem e a definição de estratégias pedagógicas. A iniciativa também reúne profissionais dos NTEs, gestores escolares e coordenadores pedagógicos para fortalecer a articulação entre os diferentes níveis da rede.
Coordenadora da EJA no Colégio Estadual Padre José Vasconcelos, no bairro Jardim Nova Esperança, em Salvador, Andricele Reis considera que os resultados são importantes para orientar as próximas ações da escola. “A partir dos resultados, a gente pode reprogramar o que for necessário, manter aquilo que está sendo bem-sucedido e estabelecer novas metas e habilidades. Não é programar primeiro para depois olhar o resultado. É olhar o resultado para, a partir dele, fazer a programação”, explicou.
Coordenadora pedagógica do Núcleo Territorial Médio Sudoeste da Bahia (NTE 8), Erica Sampaio, com sede em Itapetinga e ponto focal do SABE no território, destacou a importância do seminário para a análise dos resultados da avaliação. “É um evento muito rico, porque apresenta e faz uma análise de todos os resultados. Já temos muitas políticas públicas voltadas para a EJA, mas precisamos intensificá-las cada vez mais para que a modalidade cresça”.
Fonte: Ascom/SEC



