Estudantes do curso de Fisioterapia da Universidade Federal da Bahia ocuparam, nesta quinta-feira (9), prédios do Pavilhão de Aulas do Canela, em Salvador, em protesto contra a falta de professores, suspensão de disciplinas obrigatórias e o fechamento da clínica-escola do curso.
A mobilização foi organizada pelo Diretório Acadêmico de Fisioterapia (DAFisio), após assembleia que reuniu mais de 200 alunos. Segundo os estudantes, cerca de 500 discentes estão sendo prejudicados por problemas estruturais que comprometem diretamente a formação acadêmica.
Entre as principais reivindicações estão a contratação imediata de novos professores, o retorno de oito disciplinas obrigatórias suspensas — consideradas essenciais a partir do 3º semestre —, além da reabertura da clínica-escola do Instituto Multidisciplinar de Reabilitação e Saúde (IMRS) e a definição de um prédio próprio para o instituto.
Durante o protesto, os manifestantes bloquearam o acesso à Saladearte Cinema da universidade, o que provocou o cancelamento das sessões dos filmes 13 Dias, 13 Noites e Velhos Bandidos.
De acordo com o DAFisio, o curso, que possui nota máxima (5) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), conta atualmente com 16 professores efetivos e 9 substitutos — número considerado insuficiente, especialmente diante de afastamentos e licenças de docentes.
Os estudantes também denunciam que o fechamento da clínica-escola interrompeu atendimentos gratuitos à população, afetando pacientes com doenças pulmonares graves, crianças com condições neurológicas ou doenças raras, além de idosos em situação de vulnerabilidade.
Em nota, a UFBA reconheceu a escassez de professores e informou que já iniciou o processo de contratação de docentes substitutos, o que pode viabilizar a retomada de algumas disciplinas ainda neste semestre.
A universidade também atribuiu a suspensão de estágios à greve dos servidores técnico-administrativos em educação, incluindo fisioterapeutas que atuam nessas atividades. Segundo a instituição, a principal dificuldade para resolver o problema de forma definitiva é a ausência de liberação de novos códigos de vaga pelo Ministério da Educação.
Ainda conforme a UFBA, foi enviado ofício solicitando a abertura de novas vagas e o pedido deverá ser reiterado até o fim deste mês. A instituição destacou que a situação não é isolada e afeta diversas universidades federais em todo o país.


