A Polícia Federal oficializou nesta segunda-feira (30) a exoneração do agente Wladimir Matos Soares, conhecido como “Mike Papa”, após sua condenação a mais de 21 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.
De acordo com as investigações, Soares integrava o chamado núcleo 3 da articulação golpista e teria participado diretamente do planejamento de ações violentas contra autoridades. Entre os possíveis alvos estariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A exoneração ocorre cerca de duas semanas após o trânsito em julgado das condenações, quando não há mais possibilidade de recursos na Justiça. Segundo a Polícia Federal, perícias em áudios atribuídos ao agente indicaram o compartilhamento de informações sensíveis sobre a segurança do presidente com pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As gravações também conteriam ameaças ao ministro Alexandre de Moraes e menções à existência de um grupo armado disposto a agir contra integrantes do STF.
Preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, Soares negou as acusações durante interrogatório. Apesar disso, o Supremo Tribunal Federal manteve a condenação, fixando a pena em 18 anos e 6 meses de reclusão, além de 2 anos e 6 meses de detenção e multa de R$ 145,4 mil.
Natural de Salvador, criado no bairro de Roma, na Cidade Baixa, o agente era visto como uma figura admirada pela comunidade local. Moradores relataram surpresa com a prisão, destacando sua trajetória de mais de duas décadas na Polícia Federal e o reconhecimento pelo trabalho realizado.
Soares foi o único civil entre os cinco presos na Operação Contragolpe. Os demais investigados são militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kid pretos”, especializados em ações de alta complexidade, como infiltração e guerrilha.


