Mensagens obtidas com exclusividade pela coluna e atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento, investigado em diferentes fases da Operação Overclean, indicam que ele teria comprado apoio de prefeitos na Bahia e firmado acordos com dezenas de prefeituras mediante repasses financeiros.
Nos diálogos, Baldino afirma a um interlocutor que “já fez 38 municípios” e que estaria avançando para outros 60, em referência a negociações com gestores municipais. Em outra conversa, ele fala diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana (BA), que também é investigado na operação e chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial.

Na troca de mensagens, Baldino pede orientações sobre “como mandar a encomenda” e, em seguida, encaminha imagens de comprovantes bancários. João Vitor retornou posteriormente ao cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), sendo recebido com carreata na cidade. O gestor nega irregularidades e afirma confiar no esclarecimento dos fatos.

Os diálogos passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal em inquéritos que investigam crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude em licitações e desvio de emendas parlamentares.

Quem é Evandro Baldino
Ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA), Evandro Baldino é sócio da Construtora Impacto, empresa que foi alvo de mandados de busca na 5ª fase da operação. Ele chegou a ser preso na primeira etapa da Overclean, em dezembro de 2024, sendo posteriormente solto, mas segue como investigado.
Segundo a PF, Baldino teria atuado na articulação logística e operacional de esquemas envolvendo contratos públicos e desvio de recursos em municípios como Campo Formoso e Oliveira dos Brejinhos. Ele também é apontado como pessoa próxima ao deputado federal Dal Barreto (União-BA), outro alvo da investigação.
O que apura a Operação Overclean
A Operação Overclean investiga um suposto esquema bilionário de desvio de verbas públicas, principalmente de emendas parlamentares, com uso de licitações direcionadas, empresas de fachada, superfaturamento de obras e pagamento de propina a agentes públicos.
Em uma das fases mais recentes, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões de investigados. A Polícia Federal estima que a organização criminosa tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.
Entre os alvos estão empresários, prefeitos, vereadores, servidores públicos, operadores financeiros e assessores parlamentares. Os deputados federais Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e Elmar Nascimento (União-BA) foram citados em relatórios — ambos negam irregularidades.
Obras sob suspeita e mensagens apreendidas
As investigações apontam casos de estradas que receberam milhões em emendas, mas não foram concluídas, além de empreiteiras que abandonaram obras e trabalhadores que ficaram sem pagamento.
Entre as empresas investigadas estão Allpha Pavimentações, Construmaster (atual Vieira Infraestrutura) e a própria Construtora Impacto.
Celulares e computadores apreendidos revelaram diálogos discutindo valores e formas de repasse. Em um dos trechos, Baldino afirma: “Ibipitanga é PIX. Paratinga é PIX.” Em outro, um interlocutor comemora: “Ibipitanga tá cheio de platita.”
Todo o material segue sob análise da Polícia Federal, que aprofunda as apurações sobre o alcance político e empresarial do suposto esquema.



