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Cantora Maria Bethânia é eleita para a Academia de Letras da Bahia

Cantora Maria Bethânia é eleita para a Academia de Letras da Bahia - Foto: reprodução

A Academia de Letras da Bahia tem agora uma nova integrante para chamar de sua. Maria Bethânia foi eleita com 26 votos para a cadeira 18, que foi do historiador Waldir Freitas Oliveira. A cantora santo-amarense, muito ligada à literatura – poesia, especialmente – teve seu nome apresentado por um grupo de acadêmicos liderado por Paulo Costa Lima (compositor e professor da Escola de Música da Ufba). Bethania acompanhou a sessão em que foi eleita on line e ao final, agradeceu, comovida.

“Votei em Maria Bethânia Vianna Telles Velloso, uma das maiores intérpretes do Brasil, de quem destaco a importância como referenciadora (samba do Recôncavo, candomblé, festejos católicos, o profano carnaval, o miúdo do sertão e a força dos povos indígenas, todos de expressão oral). Bethania confirma o papel da oralidade, e nos lega o estilo de sua canção performática (poética oral)”, disse a poeta itabunense Heloísa Prazeres, eleita em julho de 2020.

O maestro Paulo Costa Lima conta que, na verdade, a ideia de indicar Bethânia à Academia partiu de João Carlos Salles (reitor da Ufba): “Mas ele me pediu para indicar por que sou músico, então eu o fiz, mas estou representando um grupo enorme de acadêmicos e ela está entrando aclamada”.

“Além da força e excelência da sua trajetória, enxergamos Bethania como a criadora de uma linguagem, alguém que está envolvida com a invenção. Sua interpretação é a criação de um mundo”, afirma.

Para o compositor, ocupante da cadeira 21 da Academia Brasileira de Música, além da ALB, Bethânia demonstra tamanha força de criação que suas interpretações se tornam paradigmas para as canções que escolhe para seu repertório. “O que ela inventa e constrói é de natureza polissêmica (tem múltiplos sentidos). Ela é uma criadora de linguagem, pois o intérprete também é criador. Essa voz tem um corpo, esse corpo adquire significado, se coloca diante da voz, da canção, do espaço em que se move”.

“Quando ouvimos a mesma canção com outro intérprete, procuramos esse personagem e ele não está mais lá. Bethânia tem isso: o que ela canta se estabelece como paradigma de interpretação, todo mundo que vai naquela canção depois dela tem que reconhecer a força da criação”, diz.

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