Início coronavírus Covid-19: RLAM registra 60 trabalhadores próprios contaminados, e pelo menos 15 terceirizados

Covid-19: RLAM registra 60 trabalhadores próprios contaminados, e pelo menos 15 terceirizados

Fonte: Ascom/SEI

Em uma das unidades da refinaria metade dos trabalhadores foi afastada por estar com a doença.

Sindipetro-BA e FUP reivindicam à Petrobrás o adiamento da parada de manutenção da refinaria para evitar o aumento da circulação de pessoas e, por consequência, do risco de ampliação do contágio

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), recebeu informações sobre um surto de Covid-19 na Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde. Segundo levantamento preliminar, há mais de 60 trabalhadores próprios da refinaria – ao todo, são cerca de 900 trabalhadores próprios – afastados do trabalho devido à contaminação pela doença, e um deles estaria hospitalizado, na UTI.

Em apenas uma das unidades da RLAM (U-39) há 14 trabalhadores contaminados por Covid-19 e afastados. O número corresponde à metade dos operadores que atuam na referida unidade. Já na Unidade de Destilação, nove trabalhadores estão afastados.

Em relação aos terceirizados há ainda maior dificuldade de conseguir informações. O que foi relatado é que na segunda-feira (22/2), 15 pessoas de uma das empresas contratadas da refinaria foram diagnosticadas com a doença.

Há um temor de que a situação fique ainda mais dramática pela falta de cuidado e prevenção. Os ônibus que levam os trabalhadores terceirizados para a RLAM costumam circular com capacidade máxima, sem respeitar o distanciamento recomendado pelas autoridades sanitárias.

TESTAGEM FALHA

Outro problema é a testagem. No início da pandemia, o Sindipetro Bahia e a FUP cobraram a testagem em massa dos trabalhadores. Em maio de 2020, a Petrobrás implementou testagem para os trabalhadores próprios; depois, passou a testar os terceirizados por amostragem. E hoje, segundo denúncias feitas ao sindicato, a testagem deixou de ser feita.

“Desde o início da pandemia, o Sindipetro vem enviando ofícios à gerência da RLAM pedindo informações sobre o número de trabalhadores infectados pela Covid. Mas a Gerência de SMS (Saúde, Meio Ambiente e Segurança) da Petrobrás não divulga essa informação nem mesmo para a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da empresa, numa total falta de transparência”, explica o coordenador do Sindipetro-BA, Jairo Batista.

Mesmo em meio ao alto índice de contaminação por Covid-19, a gerência da RLAM manteve a parada de manutenção da refinaria para o dia 15 de março. Isso apesar de o Sindipetro-BA ter solicitado o adiamento dessa parada e a abertura de negociação para a marcação de uma nova data – assim como a FUP vem reivindicando à Petrobrás para outras refinarias da companhia.

Para as entidades sindicais, as paradas de manutenção podem piorar o quadro de contaminação, pois aumentam o número de trabalhadores nas áreas da unidade e os refeitórios e vestiários costumam ficar cheios.

Para garantir o adiamento da parada de manutenção na RLAM, a fim de evitar a maior contaminação por Covid-19, o Sindipetro-BA está apresentando denúncia ao Ministério Público do Trabalho, ao Centro de Saúde do Trabalhador da Bahia Cesat) e à Superintendência Regional de Trabalho e Emprego.

Compartilhe agora:
Artigo anteriorHemoba funciona em horário especial no final de semana após medidas restritivas
Próximo artigoCoronel da PM-BA morre aos 70 anos, vítima de Covid-19