Início Combustíveis Explodem os casos de coronavírus na Refinaria Landulpho Alves, na Bahia

Explodem os casos de coronavírus na Refinaria Landulpho Alves, na Bahia

Imagem divulgação

A segunda maior refinaria em tamanho e produção do país pertencente à Petrobras, a Landulpho Alves (Rlam), enfrenta um surto de coronavírus.

De acordo com os sindicatos dos empregados e dos funcionários terceirizados, que somam mais de 2,8 mil trabalhadores, a refinaria, que fica em São Francisco do Conde, no Recôncavo baiano, já registrou 224 casos da doença desde o início da pandemia, em março deste ano. Até agora, uma morte foi contabilizada.

Segundo o Sindpetro – Sindicato dos Petroleiros da Bahia, nos meses de abril e maio, somente na Rlam, havia 24 casos de empregados que testaram positivo para o novo coronavírus.

Alguns apresentaram sintomas, mas outros eram assintomáticos, o que é um grande perigo, pois indica que o nível de contaminação pode ser ainda maior.

O Sindpetro disse que a refinaria vem negando o fornecimento de informações sobre o estado de saúde dos trabalhadores.

Diante do problema, a entidade traçou um mapa dos trabalhadores contaminados com base nas informações colhidas por uma área corporativa de segurança, meio ambiente e saúde, gerência executiva da Petrobras.

O sindicato conta com pouco mais de 2 mil funcionários terceirizados que atuam na área de vigilância, limpeza, informática, manutenção elétrica e mecânica, caldeiraria, entre outros. 

E foi justamente um desses casos que resultou em óbito. No dia 11 de abril, Johnny de Carvalho Mafort, 36 anos, morreu da covid-19. Ele estava internado no Hospital Aeroporto quando veio a óbito.

Johnny entrou em 2018 na Halliburton onde trabalhava como operador de serviço na refinaria. A empresa presta serviço para a Petrobras e outras petrolíferas, aqui no Brasil e para o exterior, na área de perfuração de poços terrestres e marítimos.

Procurada, a Petrobras forneceu dados nacionais. Atualmente, a empresa tem 314 empregados próprios com confirmação para covid-19, dentre os seus mais de 45.400 empregados. Deste total, 172 são assintomáticos e foram identificados no processo de triagem, antes mesmo de entrarem nas unidades, afastando, portanto, possibilidade de contágio.

Todos são orientados, segundo a empresa, a cumprir isolamento e passam a ser monitorados pelas equipes de saúde – 990 empregados da Petrobras já estão recuperados e retornaram ao trabalho.

Em relação à não divulgação dos dados de infectados pelo coronavírus de trabalhadores na Petrobras na Bahia, a companhia informou que “reporta somente dados de empregados porque somente em relação a estes a Petrobras detém acesso a todas as informações necessárias.”

“Em relação aos profissionais terceirizados, a Petrobras acompanha e fiscaliza as medidas tomadas pelas empresas contratadas, papel que vem exercendo com diligência nas medidas preventivas contra a covid-19”, continua a nota. 

A empresa informou ainda que “desde maio, a Petrobras está realizando testes rápidos na Refinaria Landulpho Alves (RLAM)”. “Os testes são feitos entre empregados, colaboradores de empresas prestadoras de serviços e contactantes de casos suspeitos”, garante. 

O CORREIO procurou a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), que informou que não contabiliza casos por unidades, apenas por municípios. O CORREIO procurou a Prefeitura São Francisco do Conde e aguarda resposta. 

Dimensão
A Refinaria Landulpho Alves (Rlam) foi a primeira refinaria nacional de petróleo. Sua criação, em setembro de 1950, foi impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia e pelo sonho de uma nação independente em energia. Localizada no Recôncavo, sua operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Pólo Petroquímico de Camaçari.

Na Rlam são refinados, diariamente, 31 tipos de produtos, das mais diversas formas. Além dos conhecidos GLP, gasolina, diesel e lubrificantes, a refinaria é a única produtora nacional de food grade, uma parafina de teor alimentício utilizada para fabricação de chocolates, chicletes, entre outros, e de n-parafinas, derivado utilizado como matéria-prima na produção de detergentes biodegradáveis. 

Impacto
O surto pode trazer sérios impactos à economia. “Ela (refinaria) é responsável por 25% do ICMS da Bahia. É a maior empresa do Nordeste e da Bahia. O surto pode trazer consequências muito sérias, refletindo na produção dos derivados de petróleo como gasolina, gás de cozinha, diesel, óleo de combustível, oleio lubrificante, parafina e outros que vão para as indústrias petroquímicas, farmacêuticas e de alimentícias”, declarou Bacelar. 

O CORREIO conversou com um dos empregados que já se recuperou da covid-19 e voltou a trabalhar na refinaria. Ele atua como operador no setor de lubrificantes. “Na minha unidade de 45 pessoas, três estiveram a doença, incluindo eu. Mas lá são muitas unidades. Muito provavelmente o número é bem maior. Antes de ficar doente, já havia outros casos lá”, disse ele, que voltou ao trabalho há um mês.

Os casos de empregados e terceirizados infectados na Petrobras não estão restritos à Rlam. Outros 16 casos foram contabilizados em unidades do estado nas cidades de Araçás, São Sebastião do Passé, Candeias, Madre de Deus, Itabuna, Salvador, Camamu e Camaçari. 

*Com informações do SINDPETRO-BA e Correio da Bahia

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